quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A Culturafeliz.com dos bonequinhos autárquicos

O Concelho de Oeiras é um estupendo tubo de ensaio para os amantes da política. Há coisas incríveis a acontecer nessa (minha) terra onde tudo acontece, só faltando mesmo tornar-se numa narcodemocracia...
Hoje falo de uns bonequinhos e da forma como vêem a vida. Peço a vossa atenção para o assunto, prometo ser breve. No fim, peço às pessoas que partilhem este texto, se vos interessar, acho que é importante saber o que se passa

O Templo da Poesia abriu no Parque dos Poetas em julho de 2017 (num timing interessante...)
Neste contexto, fui trabalhar no Templo como um performer poético. O meu trabalho consistia em dizer poesia às pessoas que visitam o Templo, fiz uma seleção de poemas para oferecer em rolinhos (até para cativar quem não pudesse, ou até não quisesse, ouvir poesia), fiz pesquisa intensiva sobre quase todos os 50 poetas do parque, enfim... procurei que o meu lema fosse sempre que quem não gosta de poesia, foi por ainda não ter encontrado o poema certo.

Na pirâmide do Templo, fiz um escolha de pequenos poemas cómicos e divertidos. Durante todo o verão a poesia dita fez rir no Parque dos Poetas. Nos rolinhos entreguei uma variada seleção de poemas, com um enfoque especial na vertente social. Olho para trás e sinto-me de Missão Cumprida, foram muitas as pessoas que saíram de lá com outro ponto de vista sobre a, ainda muito viva, Poesia.
Contudo há momentos que nos fazem desesperar, mas já lá vamos.
Como local de grande atração, o Templo da Poesia arrastou também a campanha eleitoral. Vieram de todos: PS, CDU, INOV, LIVRE, OeirasFeliz.com...
Todos os locais são importantes para chegar às pessoas no curto tempo de campanha. Mas há sempre algo que distingue estes grupos.

O primeiro a vir foi o INOV. O movimento de Isaltino Morais tomou a pirâmide com grande entusiasmo, escolhi alguns poemas, a cultura foi muito bem recebida pela maioria, ofereci-me para lhes dinamizar um pequena tertúlia de 10 minutos e apresentar alguns poetas do Parque. Sentaram-se e ouviram. Posso não ter tido na plateia desse dia, as pessoas mais conhecedoras mas houve interesse, houve abertura.
Aquando do Festival Poeiras, vários membros do PS e e da CDU assistiram atentamente às performances poéticas que apresentámos. Aproveitei para lhes dizer poemas sobre austeridade e foi a loucura. Ouviram como quem domina a cultura há muito tempo.

Nesse dia a afamada coligação de direita fez mais um visita ao Templo, 15 dias antes tinham cá estado. E nessa primeira visita tudo se procedeu assim:
Era um sábado normal, estávamos a preparar o grande Poeiras que viria em 2 semanas. Começaram por chegar alguns com essa t'shirt azul que diz OeirasFeliz.com, aproximei-me para lhes dizer um poema, não quiseram, preferiam esperar ao sol. Quis oferecer um rolinho, mesma nega. Chegou o candidato a Presidente da Assembleia Municipal, e deputado municipal do PSD, com um glorioso ar de tédio e arrogância lá ouviu um poema contrariado.
Continuaram a chegar e a chegar cada vez mais e nunca em 2 meses no Templo tanta gente me tinha recusado Ouvir ou pura e simplesmente Levar um poema consigo. Mas eu percebo, os poetas gostam de por o dedo na ferida, eles têm telhados de vidro...
Passaram mais de 40 pessoas, recusa após recusa desesperei. Por dia passam-me cerca de 200 pessoas, a 150 consigo oferecer um poema, a 100 consigo dizer um. Há uma taxa de sucesso de no mínimo 50% a 75% e já estou a ser pessimista! Com estes senhores de CDS e PSD foi de 5%...
Eis que chega por fim o Sr. Candidato. Ofereci um poema, não pude dizer um devido à pressa, ofereci-me para dinamizar uma tertúlia e recebê-los no Templo. Foi muito simpático mas tinha de guardar para depois. Fui então ao candidato à presidência da minha Junta de Freguesia e obtive como resposta "Poesia? Não..."

Lá estiveram a fazer sei lá o quê enquanto eu tinha um crise existencial, dei ainda o benefício da dúvida, talvez à saída seja mais fácil, fui então preparar a Tertúlia...
Lá veio então a manada de azulinhos, voltei à carga com a cultura e a poesia. NINGUÉM quis ouvir ou receber um poema. Fiquei estupefacto, dizem-se a elite... os melhores, os detentores do mérito...
Lá veio então o Sr. Candidato, pediu-me desculpa, disse que tinham outra ação de campanha, trocámos ideias sobre o Templo, disse que se podia fazer melhor, ter mais financiamento. Oh Filho, queres financiar cultura mas tu e os teus são os primeiros a desprezá-la?!

15 dias depois lá vieram então no Poeiras. Estava com os meus poetas ambulantes a meio da performance quando se aproxima a comitiva da coligação. Aproximam-se, espreitam, "Ah, é poesia" afastam-se com desdém. Viro-me então para as pessoas, conto-lhes a história de há 15 dias e Afirmo que "NÃO QUERO PESSOAS ASSIM A GERIR A CULTURA NO MEU CONCELHO". Após uma ovação, digo um poema intitulado "A Miséria que Ninguém Quer Ver", de Filipe Alves Magalhães. Era para eles.

Minutos depois eles voltam a aproximar-se, o Pedro Freitas dizia um poema, eles passam e começam a distribuir panfletos a meio da performance às pessoas que assistiam. Fiquei passado, é dum supremo desrespeito pela arte esta atitude sobranceira. Quando o Pedro acaba, grito entre as palmas "Os Senhores não podem estar aqui a fazer isso, estamos a meio de uma performance, estamos a dizer POESIA" (talvez não saibam o que é)
Desta vez as pessoas que nos assistiam puderam testemunhar aquilo que lhes disse. Fez-se um silêncio de morte, se fosse eu no público a ver um colega possesso com o terrível tratamento a que é vetado no palco, também não saberia o que fazer. Digo então às pessoas "A Cultura, é dos maiores presentes que a Humanidade se ofereceu a si própria, lamento imenso haver quem a despreze assim". E sob um nova enorme ovação, disse um poema de Manuel Alegre.

Não vou terminar com nenhuma conclusão ou reflexão filosófica, tudo isto fala por si!
Peço, por fim, às pessoas que dia 1 Votem, e se não gostarem de cultura e poesia, votem PSD/CDS OeirasFeliz.com

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A Nuvem sobre Lisboa

Todos os dias, ao final da tarde paira
uma nuvem negra
sobre as terras de Lisboa

Fizemos do céu cinzento,
para vivermos ricos, no comodismo.
E quando o céu for só cinzento
não haverá riqueza,
só os horrores do nosso sadismo






terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A Princesa de Barcelona



Naquela viagem a Barcelona
Foste-me fascínio sem pré-aviso,
Beleza digna do amazona
Roubaste mais do que um sorriso
E na cidade referta de magia
Eras, seguro, a estrela que mais luzia.

Fui incrédulo e derrotista de dia
E se fui galante ao luar
Deste-me tudo o que eu mais queria
Quando em mim vieste aconchegar,
E vi-me sonhar vidas fictícias
Entre teu doces afagos e leves carícias

Pequena, doce e frágil
Mas forte como um leão,
E se não vi teu coração
Foi por não ter sido mais ágil
Mas, de mãos dadas, vieste comigo
E, enlevado, perdi-me contigo.

Ah, a saudade do ontem que hoje é dor,
De granjear entrar na tua vida,
Objetivava ver-te embevecida,
Perdida, na constante demanda pelo amor,
E se hoje não te tenho
É dos deuses mau engenho

Recordo, então, banzado e distante
A cidade do maravilhamento,
Do teu génio e doce temperamento
Ah, não há quem mais me encante,
ninguém mais vem e destrona
A princesa de Barcelona